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Novo investimento reforça crescimento das Comunidades de Energia em Portugal
02 Fevereiro 2026•3 minutos

A transição energética está a acelerar em toda a Europa e exige investimento, inovação e novos modelos de produção e consumo de energia. Em Portugal, o desenvolvimento das Comunidades de Energia tem vindo a ganhar destaque como uma das soluções mais eficazes para promover a produção local de energia renovável e aumentar a competitividade das empresas. 

Neste contexto, a Cleanwatts anunciou recentemente a entrada de um novo acionista estratégico: um fundo de infraestruturas gerido pela DWS, uma das principais gestoras de ativos a nível global. O investimento prevê um plano de cerca de 150 milhões de euros até 2030, destinado a acelerar a expansão de projetos de autoconsumo coletivo e Comunidades de Energia em Portugal. 

Um investimento alinhado com a transição energética 

O plano de investimento está alinhado com os objetivos definidos no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030), que prevê um forte crescimento da produção de energia renovável descentralizada. 

Portugal apresenta condições particularmente favoráveis para este desenvolvimento, graças ao elevado número de horas de sol e a um enquadramento regulatório que tem vindo a evoluir para apoiar modelos de produção e partilha de energia. 

Para a DWS, estas condições fazem do país um território relevante para o desenvolvimento de projetos inovadores de descarbonização à escala local. 

Energia renovável mais próxima do consumo 

A aposta nas Comunidades de Energia permite aproximar a produção energética dos locais onde a energia é utilizada. Este modelo contribui para reduzir perdas na rede, aumentar a eficiência energética e criar maior previsibilidade nos custos de eletricidade. 

Além disso, acompanha tendências estruturais da economia, como a crescente eletrificação das atividades económicas e a digitalização dos sistemas energéticos. 

Outro elemento central nesta evolução é a integração de sistemas de armazenamento em baterias, que permitem otimizar a utilização da energia produzida e aumentar a estabilidade das redes energéticas locais. 

Comunidades de Energia com impacto económico e social 

As Comunidades de Energia representam uma evolução do modelo tradicional de produção energética, permitindo que diferentes entidades partilhem a energia produzida localmente. 

Neste modelo, empresas ou edifícios comerciais podem assumir o papel de clientes-âncora, instalando centrais fotovoltaicas que abastecem o seu consumo energético e partilham o excedente com consumidores próximos. 

Este sistema permite praticar preços mais competitivos para empresas e consumidores, ao mesmo tempo que promove a descarbonização da economia. 

Segundo Pedro Antão Alves, CEO da Cleanwatts, este modelo cria valor não apenas para os clientes empresariais, mas também para as comunidades envolventes. 

“As Comunidades de Energia proporcionam custos inferiores para todos, clientes-âncora e membros, face ao autoconsumo individual. Ao partilhar o excedente de energia produzida, as empresas podem também desempenhar um papel social ativo junto das suas comunidades”, afirma. 

Reforçar o desenvolvimento da energia descentralizada 

Com este investimento, a Cleanwatts pretende reforçar o seu posicionamento no mercado das Comunidades de Energia, com especial foco em clientes-âncora dos setores industrial e do retalho. 

O objetivo é simplificar o acesso das empresas à produção de energia renovável, permitindo a instalação de centrais fotovoltaicas sem necessidade de investimento inicial e garantindo acesso a energia com custos competitivos e previsíveis a longo prazo. 

A aposta inclui também o reforço das capacidades tecnológicas e de engenharia da empresa, essenciais para dimensionar e monitorizar centrais solares com elevados níveis de eficiência. 

Portugal como laboratório da transição energética 

A experiência portuguesa no desenvolvimento de Comunidades de Energia está a ser acompanhada com interesse por investidores internacionais. 

Para a DWS, o enquadramento regulatório nacional e o potencial solar do país criam condições para desenvolver soluções energéticas inovadoras que poderão, no futuro, ser replicadas noutros mercados europeus. 

À medida que a transição energética avança, modelos descentralizados e colaborativos de produção de energia assumem um papel cada vez mais relevante na construção de um sistema energético mais sustentável, resiliente e competitivo. 

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